Oque antes era considerado a “pressão perfeita” — 12/8 (120/80 mmHg) — agora passou a ser classificado como pré-hipertensão, de acordo com a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Isso não significa estar doente ou precisar de remédios imediatamente. Significa, sim, que valores em torno de 12/8 já indicam um maior risco de desenvolver hipertensão no futuro, principalmente quando associados a fatores como obesidade, sedentarismo, diabetes ou histórico familiar.
Por que essa reclassificação aconteceu?
Estudos populacionais mostraram que pessoas com pressão de 12/8 a 13/8 têm mais chance de desenvolver hipertensão clínica e doenças cardiovasculares ao longo do tempo do que aquelas abaixo de 12/8.
A decisão da SBC segue uma tendência internacional: em 2017, o Colégio Americano de Cardiologia (ACC/AHA) já havia adotado critérios mais rígidos, com base em grandes estudos como o SPRINT trial e análises do Framingham Heart Study.
Ou seja: não é que 12/8 seja “ruim”, mas ele já não é visto como o patamar ideal de saúde cardiovascular.
O que acontece com o corpo quando a pressão arterial está acima do ideal?
A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias. Com o tempo, um nível de pressão elevado, mesmo que sutil, impõe uma carga extra sobre o coração. Ele precisa trabalhar mais para bombear o sangue. Essa sobrecarga crônica pode levar à hipertrofia ventricular esquerda, um aumento da massa muscular do coração. O órgão se torna menos eficiente. Paralelamente, a pressão constante danifica o revestimento interno das artérias, as chamadas células endoteliais. Esse dano é a porta de entrada para a formação de placas de gordura, um processo conhecido como aterosclerose.
A aterosclerose é um dos principais mecanismos de envelhecimento vascular. As artérias perdem sua elasticidade. Elas se tornam rígidas e estreitas, dificultando o fluxo sanguíneo. Isso afeta o suprimento de oxigênio para todos os tecidos e órgãos. Os rins, o cérebro e os olhos são particularmente vulneráveis a esse tipo de dano. Em um cenário de pré-hipertensão, esses processos já estão em andamento, silenciosamente. Entender essa dinâmica é fundamental para valorizar a nova classificação do 12/8. Ela não é um diagnóstico de doença, mas um chamado à ação para a prevenção do envelhecimento biológico acelerado.
Importante: estar em pré-hipertensão não significa que esses danos já estejam acontecendo, mas sim que o risco é maior se nada for feito.
Novos valores de referência
- Normal: abaixo de 120/80 mmHg
- Pré-hipertensão: entre 120/80 e 129/89 mmHg
- Hipertensão arterial: ≥ 140/90 mmHg
Essa classificação ajuda a orientar médicos e pacientes. A meta é prevenir a progressão para hipertensão, priorizando mudanças de estilo de vida antes da necessidade de medicamentos.
O que significa ser pré-hipertenso e como agir?
Se sua pressão está em torno de 12/8, isso deve ser visto como um sinal de atenção, não de pânico. É a oportunidade de adotar medidas protetoras:
- Alimentação: reduzir sal e ultraprocessados, aumentar frutas, verduras e alimentos integrais.
- Atividade física: pelo menos 150 minutos de exercícios moderados por semana (ex.: caminhada rápida de 30 min, 5x/semana).
- Peso saudável: perda de 5 a 10% do peso corporal já reduz o risco cardiovascular. Fique atento ao IMC. Deve estar abaixo de 25 Kg/m2 e acima de 18,5 Kg/m2
- Sono e estresse: dormir bem e adotar práticas de relaxamento (ex.: meditação, respiração profunda).
- Moderação no álcool e não fumar: pequenas escolhas fazem grande diferença a longo prazo.
Longevidade e pressão arterial
A hipertensão é um dos maiores fatores de risco para infarto, AVC e insuficiência renal. Manter a pressão em níveis ideais ajuda a proteger coração, rins e cérebro, além de preservar a memória e reduzir o risco de declínio cognitivo.
Cuidar da pressão arterial é, portanto, uma das formas mais eficazes de aumentar não apenas a expectativa de vida, mas também a qualidade dela.
O futuro da medicina preventiva
A reclassificação do 12/8 reflete um movimento da medicina moderna: agir antes da doença.
O objetivo não é transformar todos em pacientes, mas incentivar mudanças simples que têm impacto enorme na saúde coletiva e individual.
Para o Brasil, isso significa também reduzir custos futuros com internações e complicações graves, já que a hipertensão é uma das principais causas de hospitalização no SUS.
E se minha pressão for 12/8?
Use essa informação como motivação para cuidar da saúde, não como motivo de medo.
- Não entre em pânico.
- Monitore regularmente sua pressão.
- Converse com um médico, que vai avaliar seu risco global (histórico familiar, diabetes, colesterol, obesidade).
Referências
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2025;122(9):e20250624. Disponível em: https://abccardiol.org/wp-content/uploads/2025/09/2025-0624_Diretriz_Hipertensao_2025_port.x66747.pdf


























